PAPO DE CANOÍSTA: Travessia Cananéia-Paranaguá concluída em 10 horas

Os irmãos Vaz criaram um movimento entre atletas de diversas cidades para transportar as duas canoas de Cananéia até Paranaguá.

Texto e fotos de Maurício Brancco, adaptação de Jefferson Sestaro

Com o tempo total de 10h26m, 35 canoístas entre profissionais e amadores conseguiram realizar a travessia em canoas Va’a OC6 e OC4 formando catamarã e com revezamento entre Cananéia, no litoral sul de São Paulo, e Paranaguá, no litoral do Paraná, em um percurso de 108 km registrados por um aplicativo específico. Esta façanha “aconteceu pela primeira vez em 1922; entretanto, na época, o desafio foi realizado em 03 dias”, conforme aponta o blog Nosso Pixirum.

Objetivados em propagar a cultura da Va’a e da Canoagem Oceânica, os irmãos Johnatha Vaz e Jader Vaz decidiram adquirir duas canoas va’a locadas em Cananéia e criaram um movimento entre atletas das cidades de Cubatão, Santos, São Vicente, Florianópolis, Paranaguá e Curitiba para transportar as duas canoas até Paranaguá, onde Johnatha Vaz reside.

Partiram de Paranaguá no último dia quinze de dezembro às 22h, em um barco de pescadores com capacidade de até setenta pessoas, levaram a bordo não apenas alimentos e água, mas uma extrema vontade de completarem o desafio no menor tempo possível remando até o destino final. Com céu estrelado e os amigos reunidos no deck do barco, todos estavam cheios de expectativas para o desafio, ao som do violão de Luiz Augusto Oliveira.

Na alvorada, os primeiros raios de sol embelezaram o horizonte no mar com paisagem impressionante superando as expectativas: clima favorável e o sol proporcionando mais energias positivas. A equipe desembarcou em Cananéia por volta das 11h do sábado e não perderam tempo para transformar as canoas OC4 e OC6 em um catamarã, com capacidade para dez atletas.

A estratégia da travessia

A bordo do barco de apoio, os atletas contaram com a experiente atleta, enfermeira e habilitada para atendimento de emergência Tatiane Dias que, mesmo no sexto mês de gestação, encarou o desafio, pois sabia da importância do transporte das duas embarcações. Numa rede social, Tatiane comentou que “foram (atletas) muito resistentes e perseverantes… nem precisou da minha assistência”. Cronometrando o tempo e a registrando a localização, Lincoln Dias Júnior ficou responsável utilizando o app Navegação GPS Polaris.

A cada 40 minutos em média, parte das equipes eram trocadas. Os experientes chegaram a remar mais de 01h30, mesmo sabendo que poderiam seguir em diante, eram substituídos pelos que estavam ansiosos para embarcar nesta aventura. Mesmo com o cansaço, a paisagem extraordinária inspirou os atletas para cumprirem a última troca de equipes cuja missão mais difícil foi refletida nos calos nas mãos dos guerreiros. Nem mesmo um encalhe da embarcação catamarã tirou o ânimo, pois foi necessário empurra-la por cerca de um quilômetro, e após desatolados, completaram o último revezamento com mais de duas horas.

Antes da chegada, Johnatha Vaz fez questão de acompanhar seus amigos para substituir algum em caso de necessidade. Às 22h45 as luzes do cais do Porto de Paranaguá refletiam a energia e as boas vibrações de toda equipe, familiares e amigos para chegarem ao trapiche de embarque com muita comemoração.

Emocionado, antes da foto para eternizar tamanha façanha, Johnatha Vaz agradeceu as equipes dos clubes Santa Rita de Paranaguá, Floripa Va’a, Passauna Padle Club, a todos que o ajudaram. “Deus coloca pessoas certas em nosso caminho… a cada dificuldade que me apareceu em menos de quinze dias de organização”, cravou Johnatha e finalizou “sem ajuda de todos, não teria conseguido dar início a realização do sonho; agradecer a disposição do amigo canoísta Gilmar de sessenta anos, da Acare (Associação de Canoagem e Remo de Cubatão), refletindo outra vez que unidos, não houveram limites para conquistar o sonho”.

A lista completa dos que participaram da travessia pode ser vista clicando aqui.