Remadoras celebram a força feminina na remada Girl Power

Remadoras iniciantes e experientes de várias modalidades se reuniram no último domingo, em Belém, para celebrar a força feminina na remada Girl Power.

O rio Guamá ganhou muitas cores no último domingo. Remadoras de diversas modalidades de esportes náutico se encontraram na água para celebrar de forma diferente o mês das mulheres. A remada foi batizada de “Girl Power” e recebeu 42 esportistas iniciantes e veteranas de Va’a (canoa havaiana), caiaques, stand up paddle e remo olímpico para uma volta pela orla da cidade, seguida de um café da manhã e um treino funcional. A iniciativa foi da remadora Larissa Noguchi, do clube Caruanas Va’a

Em Belém, esse rio também é rua delas! E quem vive os esportes náuticos sabe bem disso: a assiduidade e compromisso das mulheres é notório nas remadas e toda essa dedicação foi celebrada em uma remada exclusivamente feminina, pensada para marcar as celebrações do Dia da Mulher e também fazer um grito de protesto.

“O objetivo foi mostrar que somos capazes, fortes e temos representatividade nos esportes náuticos. E para isso, reunimos um bom número de mulheres na água”, explica Larissa Noguchi, uma das fundadoras do clube Caruanas Va’a. E o momento foi de acolhimento, característica da união feminina: o evento reuniu atletas com vasto histórico nos esportes náuticos e mulheres que tinham interesse em remar, mas ainda não haviam encontrado o momento certo. “Divulgar que o evento era exclusivo para mulheres fez várias meninas que nunca remaram se sentirem à vontade para experimentar. Se tivéssemos mais vagas nas canoas, poderíamos receber muito mais gente. Quando nos reunimos somos mais fortes”, acrescentou Larissa.

Quem conhece bem a sensação de como estar na água é prazeroso é a remadora Lorena Jacob, com experiência em todas as modalidades reunidas na remada Girl Power. “Fui apresentada à canoagem por um tio e nunca mais saí. Brinco que hoje, se não remo, as pessoas que convivem comigo percebem. É minha saúde, é onde deixo os meus problemas e os estresses do dia a dia. O contato com a natureza para mim é terapêutico. Tenho um ganho espiritual e de preparo físico”, disse ela.

O que começou despretensiosamente, remando em caiaques, se transformou num vício positivo na vida de Lorena. Do caiaque, ela passou para a evolução neste tipo de embarcação: o surf ski. Nesta modalidade ela já foi vice campeã brasileira, em duplas, e atualmente é a terceira no ranking nacional. Ela rema ainda o Va’a e mais recentemente tem se dedicado aos treinos de remo olímpico. “Só me traz prazer. Quero sempre remar mais, envelhecer remando”, conta.

Quem entende bem as palavras de Lorena é Aliny Ribeiro, remadora da Associação de Remo Guajará. Remadora desde os 14 anos, hoje ela acumula títulos variados: foi vice brasileira sênior em 2012, campeã sulamericana em 2016, e é a atual campeã brasileira máster. Mesmo com toda essa bagagem, ela não escondeu a ansiedade pela remada Girl Power. “Foi muito divertido. Antes de treinar a gente já costuma combinar o treino, a roupa, a viseira. Faz tudo para que o barco esteja uma festa”, conta.

Após a remada, as participantes se reuniram e ganharam brindes como aulas de pilates e até uma sessão de tatuagem.