Retrospectiva 2017: Canoagem Velocidade, Caiaque Polo e Canoagem Descida

Com o final do ano se aproximando é a hora da retrospectiva e relembrar o que foi conquistado em 2017 e planejar o que será buscado em 2018.

2017 trouxe novos desafios e importantes conquistas para a Canoagem Brasileira. Relembre como foi o ano para a Canoagem Velocidade, o Caiaque polo e a Canoagem Descida e conheça os desafios que 2018 trará para as três modalidades.

Canoagem Velocidade

A Canoagem Velocidade durante todo o ano de 2017 teve a frente de todas as suas atividades uma palavra-chave, reestruturação. Após encerrar um ciclo olímpico, que foi marcado pelo crescimento e muitas conquistas, era hora de organizar a casa e pensar a médio e longo prazo, visando Tóquio 2020 e Londres 2024.

E a mudança começou trazendo novamente ao calendário da modalidade a disputa da Copa Brasil, que deu oportunidade aos atletas de base até a categoria Sênior de entrar na raia mais vezes no ano para disputar competições oficiais.

O trabalho desenvolvido durante todo ano pensando no desenvolvimento do esporte e sua base teve reflexo imediato no Campeonato Brasileiro, que registrou número bem superior de inscritos em relação a 2016, com 443 atletas de diferentes regiões do Brasil.

Paralelamente à base o trabalho das seleções brasileiras também foi forte, o calendário internacional foi recheado de competições nas quais o Brasil registrou presença com resultados positivos para a Canoagem Brasileira.

Na América do Sul, o Brasil confirmou sua hegemonia, conquistando o título do Campeonato Sul-Americano, nas categorias Júnior e Sênior, em Paipa, na Colômbia. Foram um total de 50 medalhas, sendo 27 de ouro, 14 de prata e 9 de bronze. Na disputa do Sul-Americano, das categorias Menor e Cadete, em Montevidéu, no Uruguai, o Brasil trouxe para casa 35 medalhas.

Ainda no âmbito da América do Sul, 2017 contou com a disputa dos Jogos Sul-Americanos da Juventude, em sua segunda edição, em Santiago do Sul, no Chile. O Brasil conquistou duas medalhas, o ouro com o atleta Diego Nascimento, na canoa, e a prata com Josias Souza, no caiaque.

Outra disputa nas Américas foi o Campeonato Pan-Americano, que foi disputado em Ibarra, no Equador, e mais uma vez a equipe brasileira colecionou medalhas, conquistando um total de 37 medalhas: 13 delas de ouro, 12 de prata e 12 de bronze.

Quando o assunto são competições de abrangência mundial, o Brasil também marcou presença em 2017 com grandes resultados. A primeira disputa pós Jogos Olímpicos, foi na Copa do Mundo, na Hungria, onde a equipe conquistou resultados inéditos na categoria feminina, as atletas Angela Oliveira e Andrea Aparecida, conquistaram o ouro na prova de C2 200m. Mas não foi a única conquista da equipe, Isaquias Queiroz, medalhista olímpico nos Jogos Rio 2016, deixou sua marca conquistando a medalha de prata no C1 1000m.

O auge das competições foi nas disputas dos Campeonatos Mundiais. A cidade romena de Bascov recebeu o Campeonato Mundial Júnior e Sub-23, e o canoísta Isaquias Queiroz escreveu mais uma vez seu nome na história. O baiano conquistou o título de campeão mundial sub-23, no C1 1000m, conquista que faltava em seu currículo, além de mais uma medalha de prata na prova de C1 200m.

No Campeonato Mundial Sênior, principal disputa da modalidade no ano, Isaquias encerrou as conquistas brasileiras no ano garantindo um bronze na prova de C1 1000m.

Para 2018 o caminho continua em busca do crescimento da modalidade, elevando ainda mais o nome do Brasil no cenário mundial e preparando os jovens atletas para fortalecer e ampliar ainda mais a base do esporte. “Nosso destaque em 2017, sem dúvida nenhuma foi o Isaquias, que conquistou medalhas nos dois Campeonatos Mundiais que disputou no ano”, comenta Álvaro Koslowski, Coordenador da Canoagem Velocidade junto à CBCa. Koslowski também comentou sobre o processo de reestruturação e desenvolvimento da modalidade “Além da restruturação a CBCa direcionou bastante atenção e esforços para o Programa Canoagem Brasileira 2024. Com este programa buscamos novos talentos e criar oportunidades aos atletas mais jovens. Em 2018 precisamos e focar em competições específicas que contribuam estrategicamente para a preparação para 2020”.

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Caiaque Polo

2016 acabou de forma confusa para o Caiaque Polo brasileiro. O Brasil foi o único país sul-americano a participar do Mundial da Itália e terminou a competição entre os 20 melhores países do mundo. Mas o vice-campeonato Sul-americano, para a surpreendente Guiana Francesa, foi um alerta para o comitê da modalidade junto à Confederação Brasileira de Canoagem.

Com esses dois resultados em mente Leonardo Colomera, Supervisor da modalidade, iniciou o ano de 2017 com o pensamento em fomentar a base e torná-la mais conhecida nas partes do Brasil onde a modalidade não é muito difundida. Fortalecendo a modalidade e aumentando o nível técnico dos atletas brasileiros.

No primeiro semestre aconteceram apenas competições nacionais. Abrindo o calendário a cidade de Brotas – SP sediou a Copa Brasil de Caiaque Polo, competição que teve como destaque a inclusão da Série Prata, para atletas com menos experiência competitiva no Caiaque Polo. Extrema – MG foi a próxima sede da modalidade, dessa vez para o Campeonato Brasileiro, que também contou com disputas na Série Prata. Nas duas disputas o pódio se manteve na categoria principal: a equipe São Pólo garantiu o ouro, seguidos pela Grilos Team e com a equipe Nomades conquistando o bronze.

No segundo semestre o foco se voltou para o calendário internacional. Em setembro foi realizada a Seletiva para o Campeonato Pan-americano, que aconteceria dois meses depois. O técnico da Seleção Brasileira de Caiaque Polo, Fernando Souza Lima Carazzato, que assumiu a posição no início do ano juntou 18 atletas para escolher os oito melhores, que fariam parte da equipe que participaria do Pan-americano em Buenos Aires. A Seletiva foi a primeira vez que um evento da modalidade foi realizado dentro de uma UC (Unidade de Conservação), do Parque Estadual Carlos Botelho. Mesmo sem ter nenhum histórico com a modalidade. O sucesso do evento, com uma organização impecável já fixou o local de prática do Caiaque Polo no cenário nacional. A repercussão que a Seletiva gerou na região de São Miguel Arcanjo já atraiu cidades vizinhas e dá mais fôlego para o desenvolvimento da modalidade no Brasil.

A última competição do ano foi também a mais importante. O Campeonato Pan-americano de Caiaque Polo foi realizado em Buenos Aires, reuniu cinco países e durou três dias e valia vaga para o Campeonato Mundial 2018, no Canadá. Os brasileiros não tomaram conhecimento dos adversários e derrotaram a equipe da Guiana Francesa na final e garantiram a vaga para o Mundial, além de se tornar hexacampeão pan-americano de Caiaque Polo.

Ano que vem o calendário internacional da modalidade será mais extenso do que o de 2017. Além do Campeonato Mundial no Canadá, os brasileiros também participam do Campeonato Sul-americano, que ainda não tem local definido, a disputada sede está entre o Brasil e a Guiana Francesa. Existe um planejamento de realizar um piloto de torneio de Clubes da América, paralelo ao Sul-americano.

Para Leonardo Colomera o ano foi positivo. “Estamos muito felizes com os objetivos alcançados este ano, principalmente a vitória no Pan-americano que nos deu uma vaga no Mundial, o que ainda não estava garantido”. Para 2018, Colomera continua pensando no futuro da modalidade “Permanece o objetivo de fomentar o Caiaque Polo para novos termos novos integrantes, além disso queremos formar equipes Sub-21 e feminina, passos importantíssimos para o desenvolvimento da modalidade.

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Canoagem Descida

A Canoagem Descida é uma modalidade que vem se reestruturando desde 2015. O comitê da modalidade trabalha para aumentar o número de participantes das competições e busca sempre formas de universalizar o esporte. Para este ano as diretrizes principais eram promover uma reestruturação para conseguir novos adeptos e recuperar os atletas que estavam afastados das competições.

Os esforços para alcançar estes objetivos já foram vistos na primeira competição do ano. A Copa Brasil de Canoagem Descida Sprint foi realizada em Brotas – SP, um polo do Rafting no Brasil, e recebeu pela primeira vez duas competições paralelas das modalidades. Além disso foi a primeira vez que a competição teve disputas da categoria Creek, na qual o atleta utiliza caiaques rotomoldados e a categoria Duck, que não fazem parte das categorias oficias da FIC (Federação Internacional de Canoagem) mas são importantes para popularizar o esporte. As disputas do Creek seguem o mesmo formato das provas de Rafting, nas quais o atleta compete em três provas (Sprint, Head to Head e Descida), a embarcação com maior pontuação se torna a campeã da competição.

Além do Creek a Copa Brasil ainda teve disputas das categorias K1 Sênior Masculino, Master Masculino e Feminino Open, todas no formato Sprint, no qual o atleta percorre uma distância preestabelecida. No caso da Copa Brasil o percurso a ser percorrida era de 500m rio abaixo atravessando corredeiras de nível II e III (o nível mais alto é o IV). A competição que promoveu um intercâmbio entre as duas modalidades e incentivou a presença do público e de novos atletas foi considerada um sucesso pelos comitês das duas modalidades.

A última competição do ano foi o Campeonato Brasileiro de Canoagem Descida Clássica, em Schroeder – SC. O evento foi realizado no rio Bracinho, dentro da Estação Ecológica do Bracinho – Usina Hidrelétrica do Bracinho, e teve provas de K1 Descida, Masculino e Feminino, Turismo Masculino, Duck Misto e Masculino, além de provas de Creek. Aproximadamente 60 atletas participaram da competição que apresentava um percurso de três quilômetros em um rio bastante técnico, estreito, com a presença de pedras e fortes corredeiras por toda extensão do rio Bracinho.

O Campeonato Brasileiro também serviu como Seletiva para o Campeonato Mundial, que tem início no dia 30/05 e vai até 03/06 do ano que vem, em no Rio Muota, na Suíça. Os melhores tempos gerais foram selecionados para participar da competição internacional, os escolhidos foram: Rafael Girotto, Marcos Zanghelini, Daniel Hayashi e Wilson Volz.

Segundo o Rafael Girotto, membro consultivo do Comitê da modalidade, a reestruturação da Canoagem Descida continua em 2018. O comitê planeja “promover campings e clínicas de treinamento entre os atletas, aprimorando técnicas e difundindo a modalidade”, além disso Girotto enfatizou a importância de “aumentar o nível técnico dos atletas através de intercâmbios e competições internacionais”. Outro objetivo do comitê da modalidade é limitar os eventos nacionais para apenas dois no ano e fomentar as competições regionais.

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