Sacrifício prazeroso


No post anterior comentei estar em Angra dos Reis/RJ para participar do 2º Desafio 50km da ACOAR. Neste post vou falar um pouco dessa experiência.

Sempre comento que remo por prazer, quando vira sacrifício não tenho prazer remando, dessa vez foi diferente, senti prazer pelo sacrifício.

Ano passado, quando aconteceu a 1ª edição dessa competição, eu não participei mas ouvia atento as histórias de quem participou desse desafio. Superação física e mental, superação das condições de mar, tudo que um desafio de 50km engloba durante suas aproximadas 5 horas e meia de remada. Pura preparação psicológica para encarar neste ano.

Sinceramente, não achei que estava psicologicamente preparado e nem esperava ter o resultado final que tive, foi com muito louvor e dedicação mas não fui ganancioso achando que chegaria onde cheguei facilmente. Fui surpreendido.

Não me alonguei antes da largada e meus tendões do braço travaram, não tive forças, fui obrigado a parar. A prova era longa, não me preocupei pois já tinha colocado na cabeça que minha participação encerrava-se ali, 15 minutos depois da largada mas tentaria ir até onde desse.

Logo após essa parada, meu amigo Luis Michio virou perto de onde eu estava e foi para água. Resolvi ajuda-lo pois o mar estava agitado e eu estava perto. Após tirar a água de dentro do caiaque e ajuda-lo a subir, resolvi continuar na competição pois tive tempo de relaxar os braços e alonga-los.

A condição de ter mudado e diminuido o trajeto por segurança, por mais que ruim com o mar agitado, me favoreceu ajudando a surfar e andar muito mais rápido do que em águas calmas. Após os 20km iniciais, achei que a organização suspenderia o desafio por causa da tempestade que estava passando, chuva, clarões e estrondos. Assustador, porém motivador a terminar essa terceira e última etapa da Copa do Brasil de Canoagem Oceânica.

Passado o susto, vieram águas calmas e torturantes, parecia que a remada não rendia. Ai entrou o fator  psicológico, a concentração. A música no fone de ouvido ajudou muito nesse momento a ignorar a dor física. Faltava pouco, intermináveis 10kms finais.

No momento que avistei o portal de chegada tive uma reação que nunca achei que pudesse acontecer: eu chorei. Não sei se de emoção, de dor, de felicidade ou pela lembrança que não saia da minha cabeça do meu falecido avô, que foi canoísta na década de 40. Coincidentemente, sem ter me dado conta de datas, no dia seguinte da competição, ele comemoraria 83 anos. Espero que tenha ficado orgulhoso desse meu feito.

Momento da chegada depois de 40 km em 4 horas e 21 minutos.

Mais fotos do evento:
http://picasaweb.google.com.br/sestaro/Desafio50kACOAR#

3 respostas

  1. Ott disse:

    Esse texto poderia ser o início de um livro hein!?!?!

  2. Renato Huard disse:

    Po cara que legal!
    Parabéns pelo grande feito. Esses atos de sacrifios superados é o levamos conosco com orgulho.

    Parabéns!

  3. Parabéns pelo que você conseguiu e continue assim, torço por vc
    Abraços de seu amigo Wilson